Agora é CID

11/01/2018

Nova classificação internacional de doenças deverá contar com o vício em videogames. Mas é preciso entender antes da polêmica se curvar contra o mercado

A Organização Mundial de Saúde (OMS) deve incluir o transtorno por videogame como doença em 2018 na próxima edição da CID (Classificação Internacional de Doenças), não atualizada desde 1990.

A polêmica sobre o fato gira em torno da leitura feita pelo órgão, situando a possibilidade de que os videogames possam causar transtornos patológicos ou vício ao indivíduo que muito usufrui. Mas será que este caminho é coerente?

Desde criança ouvimos de nossos pais os dizeres que, acredito muitos de vocês também já ouviram... "tudo que é demais, faz mal". Ou seja, tudo em exagero, seja alimentação saudável em exagero, exercícios físicos em exagero, estudar demais, amar demais e acertar demais não é saudável, seja em âmbito físico, social ou psicológico. Então vale a nota de acerto para OMS, porém sem muito ar de coerência, já que não há CID para outros "transtornos" na base do exagero.

O estudo para a inclusão do transtorno por videogame começou há mais de nove anos, com a participação de profissionais da saúde mental, caracterizando por um padrão de comportamento de jogo contínuo ou recorrente, alinhadas a três condições negativas: não controlar a conduta de jogo quanto ao início, frequência, intensidade, duração, finalização e contexto em que se joga, além do o aumento da prioridade que se dá jogos em vez de necessidades vitais e atividades do dia a dia.

O que opinamos sobre este fato é que boa parte da sociedade observada nos dias atuais está de fato, se automatizando quando o interesse é ter seu filho quieto, seja em uma mesa de restaurante, seja até mesmo em casa, quando dispositivos móveis ou até mesmo os consoles conduzem o papel de "babá" ou, porque não, o próprio papel dos pais.