Obra prima

14/02/2018

Shadow of The Colossus é e sempre será um grande jogo

É fato que ao analisar um jogo lançado há 13 anos não compartilha interesses imediatos quando notamos ele nas prateleiras ao lado de títulos triple A. Até porque, mesmo redesenhado, Shadow of the Colossus mantém aquele clima pesado e, quando visto de longe, meio sem graça.

Tudo porque é daqueles poucos materiais que fazem a gente jogar mais e mais, admirando sentimentalmente os personagens antes de buscar, a fundo, quem conseguiu criar uma joia rara dessas.

Depois de uma versão em HD lançada em 2011, seis anos depois de sua primeira versão para PS2, o material foi refeito e está bem diferente de seu original. Mas parece forçadamente manter pequenos detalhes problemáticos que relembram, inclusive na movimentação de gameplay, alguns "traços raiz", talvez por conta de deixa-lo ser assim como ele é.

Fora isso, os Colossus sofreram uma melhora considerável e o ambiente parece estar mais imersivo e vivo do que nunca.

Uma das características bem marcantes nos jogos de Fumito Ueda é deixar a história rolar, sem um entendimento inicial dos porquês. Ou seja, levar sua amada até um ambiente protegido e conversar com as energias locais do templo onde você começa o jogo, sem saber quem o personagem é e porque ele está ali é um dos "chutes na bunda" que seu criador traz. Resumindo, jogue e comece a entender.

Wander é o seu personagem jogável, um guerreiro que quer ter a alma de sua mulher de volta ao corpo entregue às ruinas de um lugar marcado como o fim do mundo. Ali, você fala com uma entidade chamada os Dormin, que entende seu pedido, inclinando uma dura batalha em troca do espírito de seu amor. E, como muitos de vocês já devem saber, Wander tem de destruir os 16 Colossus que ali habitam.

O game incorpora a solidão de um homem que fará de tudo, sozinho e perdido em um mundo misterioso para ter sua mulher viva de volta. E neste universo de atmosfera profunda, você terá experiências consigo mesmo até como jogador. Isso mesmo, o jogo dá aquela replicada de sentimentos que passam da tela para o jogador, pois durante a exploração - não tão longa, admitimos - você se dá conta de que algumas coisas só dependem de você.


NOTA COMERCIAL

Além de toda a emoção que o jogo tem, talvez a Sony tenha aceitado o desafio de colocar nas lojas um exclusivo remake por conta de um só motivo: Mostrar como é (ou seria) gratificante ter um Playstation 4 Pro aí na sua casa e, consequentemente, uma tela 4K. No PS4 comum, Shadow of the Colossus roda em 1080p e 30 quadros por segundo, enquanto o Pro consegue alcançar 1440p, oferecendo dois modos de jogo: cinemático e desempenho. O modo cinemático prioriza o visual e deixa a performance em 30 fps. Já o modo desempenho prioriza os 60 frames por segundo e reduz a resolução para 1080p.

A desenvolvedora norte-americana Bluepoint mais uma vez botou pra quebrar. Não bastassem trabalhos bem feitos na remasterização de Uncharted, God of War e Metal Gear, mais uma vez ela aparece na crista dos aplausos. Ainda mais quando o jogo oferece a facilidade de ser naturalmente incrível.